O que nos ilumina por
dentro, fornece o combustível diário para o que refletimos do lado de
fora. Não é por acaso que a maioria dos livros de desenvolvimento pessoal, assim como a evidência científica, nos fala sobre a importância de nutrir
a nossa mente com pensamentos positivos, e encontrar fontes de motivação que nos levam a descobrir o nosso potencial. No entanto, alguns seres têm a capacidade de
tocar o nosso interior quando se dão de forma autêntica, sem receio de desnudar
a sua alma, e assim despidos conseguem chegar ao coração do outro. Quando isso acontece sabemos que ambos se transformam mutuamente em pessoas melhores. É o que está a acontecer de uma forma crescente, pura e límpida. Esse é o lado solar e radioso de um ser; aquele do qual nos orgulhamos e que queremos mostrar na relação com o outro. No entanto, apesar de todos os brilhos e purpurinas qualquer um de nós tem também um lado escuro, ou o avesso da sua alma - aquele avesso de que fala a cantiga do Rui Veloso, Lado Lunar.
Falemos então um pouco, de obscuridade. Qualquer maquilhagem disfarça rugas e imperfeições da pele, ilumina o olhar e minimiza os efeitos do tempo. Ainda assim, a maquilhagem de que revestimos o nosso íntimo, nuns dias mais que noutros, apenas vai camuflando o que nos faz doer por dentro e que precisa de sair, através da respiração e dos batimentos cardíacos. A manter-se dentro de nós, maltrata-nos e transforma-nos numa pessoa de que não gostamos.
Falemos então um pouco, de obscuridade. Qualquer maquilhagem disfarça rugas e imperfeições da pele, ilumina o olhar e minimiza os efeitos do tempo. Ainda assim, a maquilhagem de que revestimos o nosso íntimo, nuns dias mais que noutros, apenas vai camuflando o que nos faz doer por dentro e que precisa de sair, através da respiração e dos batimentos cardíacos. A manter-se dentro de nós, maltrata-nos e transforma-nos numa pessoa de que não gostamos.
Revisitar os nossos fantasmas é quase sempre um exercício doloroso, pelo que
vamos adiando como podemos, não só para não recordar o que nos causou
sofrimento, mas também porque nos dá a ideia de que somos pessoas "normais", quando o que mais queremos é ser especiais aos olhos do outro. Repetimos algumas
vezes, às vezes em demasia, que não somos perfeitos, porque a perfeição nunca a conseguiremos alcançar, como dizia Dali na sua sábia loucura, e por isso escondemos os fantasmas e o lado obscuro no sótão da nossa mente. Num primeiro momento começamos por tratá-los com alguma displicência, mas apesar de todos os pós de prilimpimpim que possamos usar, eles continuam presentes, e com maior ou menor resistência, acabamos por deixar que tomem conta de nós. Na verdade eles são muito persistentes, e personagens hábeis de um filme trágico-dramático! Volta e meia fazem-se presentes ao menor desconforto, porque sabem que lhes é dada mais uma oportunidade de ensombrarem os nossos pensamentos e transformar cada segundo numa sombra negra que paira sobre a nossa cabeça, acabando por magoar - a nós, e aos outros, que nem são personagens da história que os
criou.
Então a grande questão que me apraz perguntar, é: Como é que nos podemos libertar
dos fantasmas que nos sobrecarregam? Como podemos deixar que a parte obscura da
nossa alma vislumbre a luz do dia, para ganhar novas tonalidades? É minha
firme convicção, alguma dose de coragem e
muita resiliência para sarar cada uma das nossas feridas (e não há quem as não tenha), destapando-as dos pensos rápidos ou emplastros que lhe colocámos. Depois para o processo de
cura ser autêntico, perceber o que nos magoou, o que na grande maioria das vezes, vai voltar a doer, só que agora, sabemos estar no processo de cura, portanto dispostos a aceitar o que aí vem. Não conseguimos alterar o passado, nem o que nos magoou naquele tempo, mas como seres em evolução que somos, podemos hoje fazer diferente, e escolher o que nos ilumina, em vez de permanecer na dor do passado, que a continuar a doer, é presente!